Rubens Bellora encerra um ciclo de 45 anos na UCPel

Após 45 anos de trabalho e de colaboração à formação de milhares de alunos do curso de Direito e de outras graduações da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), o professor Rubens Bellora, de 74 anos, aderiu ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) da instituição. Na última semana, o advogado, que até o fim de junho ocupava o cargo de diretor do Centro de Ciências Jurídicas e Sociais, encerrou seu período de atividades na instituição.Natural de Rio Grande, onde morou até os 8 anos, Bellora construiu em Pelotas sua formação estudantil. Foi aluno dos tradicionais colégios Gonzaga e Pelotense e graduou-se na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em 1966, à época ainda denominada Universidade Federal do Rio Grande do Sul. No ano seguinte, ingressou no quadro docente da UFPel, onde foi por duas vezes eleito diretor da Faculdade de Direito.Concomitantemente, em março de 1971, passou a ser professor também na UCPel. Na época, esteve à frente das disciplinas de Direito ministradas nos cursos de Engenharia Civil, Serviço Social, Administração, Ciências Econômicas e Contábeis. Em 1989, aposentou-se na Federal e, logo em seguida, foi um dos professores convidados pelo então reitor da UCPel, Jandir Zanotelli, para montar um curso de Ciências Jurídicas e Sociais, a ser ofertado já no Vestibular de Verão de 1990. “Eu tinha um farto material de outras faculdades, porque estudávamos a mudança de currículos da Federal. Aproveitamos, montamos o nosso e o curso saiu. Ele posteriormente foi reconhecido, após passarmos por diversas fases de validação”, recorda, ao recuperar os passos iniciais da graduação que depois daria forma à Escola de Direito, extinta em 2008 e transformada em Centro de Ciências Jurídicas e Sociais. Bellora atuou inicialmente como coordenador do curso e, após, como diretor da escola e do centro. Em paralelo, sempre manteve o trabalho como advogado, em escritório ainda em funcionamento, na área do Direito do Trabalho. “No início atuava em tudo, mas com a necessidade de ajustar o tempo, acabei ficando no Direito do Trabalho”, explica.Na subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da qual recebeu várias honrarias, como a comenda Oswaldo Vergara e a medalha Leonardo Macedônia, ocupou diversos cargos. Inclusive foi eleito presidente da entidade por duas vezes, no começo dos anos 90. E da cidade que lhe acolheu recebeu o título de Cidadão Pelotense, em 4 de julho de 1996.Retribuição da docênciaPara Bellora, a docência teve significado especial. Segundo ele, ao assumir o ofício, o profissional passa a ser professor, sem querer, durante as 24 horas do dia. “A  vida acadêmica faz com que a gente se envolva de tal forma que não se pode encerrar a aula e deixar de ser professor. Isso é absolutamente impossível”, afirma. Segundo ele, o exercício do magistério é gratificante, em primeiro lugar, pelas amizades que gera. Além disso, destaca a honra de ver o progresso profissional dos estudantes. “Tenho ex-alunos que já foram presidentes do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, como Marco Antonio Leal e Luis Felipe Magalhães, e diversos outros, como promotores e classistas que também chegaram lá”, cita.Na docência, Bellora também teve a oportunidade de lecionar para alunos que viriam a ser, posteriormente, reitores da UCPel: Octavio Gurgel, Jandir Zanotelli e Teófilo Galvão. “Minha relação com a Católica é a melhor possível. Tive a honra de ingressar na universidade quando Dom Antônio (Zattera) ainda era reitor. E trabalhei como todos os que vieram depois”, lembra, ao citar Carlos Alberto Vianna, Paulo Brenner Soares, Zanotelli, Galvão, Wallney Hammes, Alencar Proença e José Carlos Bachettini Júnior. “Tenho com a UCPel uma estreita relação de carinho. Me sinto muito gratificado porque ela me permitiu realizar muitos sonhos. Aqui consegui me fazer professor durante todos esses anos. Aqui cheguei à categoria de professor titular. Se me perguntarem se valeu a pena, digo que sim. Saio de cabeça erguida, com o dever cumprido. Deixo excelentes amigos, pessoas que tenho a mais profunda admiração”, resume.Pai de três filhos, avô de quatro netas e à espera do primeiro bisneto, Bellora pretende aproveitar o convívio familiar: “Agora que vai sobrar tempo, vou viver para a minha família”.foto da notícia