Já prestou atenção na letra da música “Camila, Camila”, da banda Nenhum de Nós? O nome da protagonista dos versos costuma ser cantado a pleno pulmões pelos entusiastas do rock gaúcho, mas por trás de frases misteriosas se apresenta o relato de um caso de violência doméstica. A partir desta conhecida canção, o curso de Direito da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) realiza o evento on-line “Sobre Camilas… um bate papo sobre violência contra a mulher e o que podemos fazer para mudar a realidade”, no dia 9 de dezembro, às 19h, no YouTube.

“Existem temas muito presentes e que precisam ser abordados das mais diferentes formas. A violência contra a mulher é um deles. Acredito que a música permite sensibilizações e reflexões”, comenta o professor de Direito da UCPel, Samuel Rivero, que também é coordenador do Grupo de Estudos em Segurança Pública (GESP). Ele será mediador do encontro junto da docente Marcela Simões.

 

Tensão nos versos

Lançada em álbum de 1987, a composição foi inspirada na história real de uma colega de escola dos integrantes da banda. Ela não se chamava Camila, mas experienciou um relacionamento abusivo aos 17 anos. Mesmo sendo todos homens, os músicos definem a canção como uma forma de estabelecer empatia e tentar entender como a vítima se sente.

Fazem-se presentes versos como “Depois da última noite de festa/ Chorando e esperando amanhecer”, “Da vergonha no espelho/ Naquelas marcas, naquelas marcas” e “Havia algo de insano/ Naqueles olhos, olhos insanos/ Os olhos que passavam o dia todo/ A me vigiar, a me vigiar”. Essa narrativa visa provocar o ouvinte, a fim de que busque contribuir para a transformação da realidade.

 

Em discussão

A letra será o ponto de partida para um debate sobre violência contra mulher. Entre os convidados da live estão a advogada criminalista e mestra em Ciências Criminais, Carolina Stein, e os músicos Carlos Stein e Samy Homrich, da banda Nenhum de Nós, que irão compartilhar como ocorreu o processo de criação da faixa e sua repercussão.

Os integrantes da Nenhum também fazem parte do HeForShe, um movimento de solidariedade pela igualdade de gênero, criado pela ONU Mulheres, e que se propõe como um “convite para que homens e pessoas de todos os gêneros se demonstrem solidários às mulheres” e promovam a mudança na sociedade.

 

Redação: Max Cirne

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